Valoração do Dano Corporal na Perspectiva Médico-Legal: Aspectos Técnicos e Jurídicos
- Renan Torres
- 4 de fev. de 2025
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A valoração do dano corporal é um processo complexo e multidisciplinar que exige a integração de conhecimentos médicos, jurídicos e periciais. Seu objetivo principal é quantificar e qualificar as sequelas decorrentes de eventos lesivos, sejam eles acidentais, ocupacionais ou de outra natureza, a fim de garantir uma reparação justa e proporcional ao prejuízo sofrido pelo indivíduo.
Do ponto de vista médico-pericial, a avaliação do dano corporal envolve a análise detalhada do quadro clínico, incluindo exames físicos, complementares e a interpretação de laudos médicos. A aplicação de metodologias consagradas, como as diretrizes da Associação Médica Americana (AMA) ou tabelas específicas de incapacidade, é fundamental para assegurar a objetividade e a reprodutibilidade dos resultados. No entanto, é essencial que o perito considere as particularidades de cada caso, como idade, profissão e impacto na qualidade de vida, para evitar generalizações que possam subestimar ou superestimar o dano.
Juridicamente, a valoração do dano corporal serve como base para a indenização por danos materiais, morais e estéticos. Nesse contexto, o laudo pericial assume um papel central, pois fornece subsídios técnicos para que magistrados e advogados possam argumentar de forma fundamentada. A falta de padronização nos critérios de valoração, no entanto, ainda é um desafio, podendo levar a decisões judiciais divergentes em casos semelhantes.
Portanto, a valoração do dano corporal não é apenas um ato técnico, mas também um instrumento de justiça, que exige do médico perito não apenas competência clínica, mas também sensibilidade para compreender o impacto global do dano na vida do indivíduo. A harmonização entre os aspectos médicos e jurídicos é, assim, essencial para assegurar uma reparação equânime e alinhada aos princípios da dignidade humana e da justiça social.